Beijos e sei lá



Experimente, sei lá, abraçar o porteiro do prédio onde você trabalha, assim que chegar pela manhã. Não pega bem, vão dizer nos corredores que você precisa de terapeuta, que seu lado boêmio tá demais esses dias, e no amigo oculto de fim de ano vão te dar um livro de auto-ajuda - o que é até melhor do que aqueles cds estranhos de mpb que sua tia cheia de luzes no cabelo finge que curte. Mas tente roubar uma risada ou um beijo de alguém em ausência coletiva, quando o papo é sobre silêncio. Você será vista como a heroína entre os mais corajosos, digna de que parem a conversa sobre (o quê  mesmo?) quando estiver passando - mesmo que ninguém saiba o que você teve coragem de fazer. Troque de roupa rápido, e se puder, troque de pele também. Tente um espécie de revolução, nem que seja a silenciosa, fale com o rapaz do metrô, pergunte a ele se é só você que tá querendo mudar o mundo, ou se ele também é insolente a este ponto. Se você for mais ousada, eu indico cartazes pintados com tinta guache vermelha - Isso mostra que você é voraz. Pode até abraçar o policial, tirar onda, sabe? Você será presa e noticiada. Mas vai ser legal contar isso pros netos. Eu sou uma valente secreta, e as marcas eternas estão sob o tecido do corpo. Só a agulha tinge o desenho, e somente a grandeza bondosa personifica a minha missão. Porque o amor que move o mundo, sei lá, é uma coisa meio doida, fantástica, eu sempre me desnorteio quando vou falar a respeito. E daí segundos depois,  descubro que eu sou o tipo de pessoa que só se encontra, caso se perca - eu até gosto dessa parte - é o instante em que mais reencontro amigos que nunca havia visto antes. Hoje quero que coisas boas aconteçam, não imediatamente, mas quando forem pra acontecer. Porque eu preciso aprender mais sobre mim, e sobre o mundo, e sobre amor, matemática, carros, fotografia. E desaprender também né? Muitas vezes a melhor coisa é aprender uma coisa antiga, de um jeito novo. Que no nosso peito nasça a vontade da mudança, que saiamos do lugar comum, e que se isso significar sair do mundinho, do egoísmo autoritário, da canseira por motivo algum dos domingos, deixar pra trás coisas e pessoas que não valem a pena, opa, melhor ainda. Vamos tentar caminhar com nossos próprios pés, sem as amarras dos que sonham pra gente sonhos diferentes dos nossos. Fazer nossa própria história, e compartilhar com quem quiser ouvir e fazer parte. Tomar um café, um chopp, trocar uma ideia, destrocar outras. Rir da desgraça, e usá-la a nosso favor como inspiração ou motivação - a gente pode até fazer um samba, ou construir um império, é só escolher. Errar, tentar, errar, persistir, mudar, vencer. Experimentar primeiro, e dar o veredicto depois. É isso o que eu sei, e mesmo assim, sei lá. - Não por dúvida, mas como preenchimento final para que não pareça que acredito que sei de tudo - graças a Deus, não sei. Cada dia percebo que ainda tenho muito a aprender. Com tudo. Com todos. Com Deus, e o mundo.







Beijos, sei lá.
( quase que sei aqui também)