Estrelas de metal

Sei lá, parece que desde cedo somos instruídos a precisar dos aplausos. Como que se não houvesse o som da aprovação, o trabalho não ficasse completo, e não fizesse muito sentido continuar. E então eu me toquei. Eu não preciso disso, ninguém precisa disso. A verdade é que a evolução é muito maior entre as vaias, e no silêncio desgostoso dos que notavelmente já desistiram, ou sequer acreditaram realmente em você. Mas a trajetória não é sobre agradar. É sobre constantemente buscar melhorar o que se é e o que se faz. É arriscar e fazer o que acredita independentemente dos gritos contrários da multidão. É sobre não se esconder. É principalmente, fazer o que o seu coração diz que deve ser feito. Porque a força interior basta. E se aprende que não são as dificuldades, e muito menos as pessoas que podem te dizer que você não é capaz, e que você não vai conseguir aquilo que você sonha. O seu sonho é seu. Apenas você pode abandoná-lo no meio do caminho. Apenas você tem esse poder. E percebe, que opiniões contrárias são de incrível benefício. As pessoas mais inspiradoras são aquelas que realmente tinham tudo para dar errado, mas não deram. Acredito que porque sua natureza secreta e grandiosa as impulsionaram a isso. A lutaram através dos dias ruins, em busca dos melhores dias da História. Hoje em dia, nem minhas zonas de confortos são lá muito confortáveis. Mas eu meio que viciei nisso. Em me jogar nas situações, e sorrir dos rostos escandalizados. É assim mesmo, para todos os que tem tudo para dar errado. Não apenas aguento as vaias, como notavelmente as provoco de peito aberto.
E as coisas vão piorar daqui pra frente.
E que venham os tomates.

; D

Beijos.

A Espiã Russa de Tênis Vermelhos

Eu apenas disse, tchau. E ainda por cima sorri sem mostrar os dentes. Olhei para quatro olhos, que eram como estrelas no topo da árvore de natal - brilhantes, solitários, chamativos demais. Todos os corpos rígidos, em uniformes escuros, pareciam homens que não tiram as botas nem para tomar banho. E tomam banho dentro da máquina de lavar que é para não terem de tirar o terno. E andam como robôs que milagrosamente em sua programação há fios amarelos que fingem ser artérias. Contrariando o ritmo da investigação, eles sorriram de volta muito mais aberto do que eu. Um me disse, bom descanso! Com um entusiasmo na voz que me deu vontade de pular corda, e não de dormir. O outro falou, tudo de bom pra sua vida! Peraí. "Tudo de bom pra sua vida (?)" . Nesse instante eu realmente senti que todas as coisas boas me atingiram, mesmo que num tempo lá no futuro. Não aguentei. Sorri tão aberto que meus olhos fecharam. Fui pega no flagra, mas que coisa. Os corpos ao redor gargalharam em contido. A pele vibrava por causa das ondas magnéticas causadas pela gentileza entre estranhos. Em segundos, percebi as pessoas no Alaska se aquecendo. Ciganos dançando um som festivo com seus pés descalços. Ouvi o pai de dois meninos recebendo a notícia que sua mulher agora era a casinha de uma menina. Percebi alguém se levantado secretamente da queda que todos juravam ser o destino final. Presenciei milhares de estrelas azuis nascendo. Senti um clássico do rock dedilhado nas linhas dos meus dentes. Continuei a caminhar. Disfarçadamente,olhei para trás com meus olhos pequenos. Jamais notariam que eu os estava observando. Pensariam que eu estava tão, mas tão cansada que comecei a dormir andando. Eu longe, quietaram. Mexeram em papéis aleatórios. As pessoas estavam tão apressadas que nem disseram tchau. Não sorriram nem meio movimento. Que tão apressadas não receberam a luz atenciosa dos nobres guardiões dos portais de marmóre e acrílico da Avenida Norte. Voltando a ser uma cidadã comum, e não mais uma membro da KGB inserida numa sociedade que vai contra os meus princípios de igualdade, acenei alto. Queria vê-los se iluminando novamente. Deve ter funcionado. Talvez de uma forma tão potente que ultrapassou seus corpos e atingiu o meio. Sei disso porque assim que coloquei os pés para fora, todos os postes da rua se acenderam. E eu ascendi.

As Girafas Robôs Malignas

  

Era uma vez uma girafa maligna robô que queria dominar o mundo. Ela e suas amigas foram ao mercado mais próximo comprar sorvete de chuchu para ajudá-las em seu plano maquiavélico. Só que lá não tinha sorvete de chuchu.
     Então as girafas malignas robôs que queriam dominar o mundo resolveram ir andar de skate pra ver se pensavam em alguma coisa mais macabra. Quando elas foram para a pista de skate elas viram um assalto no qual o assaltante que assaltava as pessoas por profissão era um cara vestido de cachorro-quente que trabalhava no giraffas. As girafas sofreram um trauma irreversível. Aí elas desistiram de andar de skate e foram a procura de um esporte mais radical. Foram andar de patinete no bosque.
     Chegando lá, a girafa mais alta de todas, viu um all star laranja e saiu correndo, só que ela caiu no chão, não sangrou claro,porque ela era um robô. Andando mais um pouco elas viram um urso panda tocando piano em cima de uma árvore. A girafa robô, revoltada do jeito que era, deu chacoalhadas na árvore, e o urso caiu no chão.As girafas riram muito dele. 
    Só que o urso não era um urso! O urso era o James Bond disfarçado em uma missão para descobrir onde ficava a casa da mãe Joana.
James não ficou quieto e chamou a girafa para um duelo de lutas marciais. 
A girafa aceitou e teve que desmarcar uma viagem interplanetária somente para comer pizzas de cosmos jupterianos, agora já era tarde demais, o duelo já era certo! 
    As girafas foram comer hamburguer no girafas, já que lá elas tinham desconto! Depois foram jogar basquete, porque, porque elas quiseram mesmo.
    E do nada apareceu o Jack Chan sua tribo de ninjas que sabiam dançar o chá-chá-chá. Foi mó bagunça, porque todos queriam pular no teto do shopping, mas o Jack Chan e sua tribo deram um jeito em tudo. 
As girafas tentaram correr dos homens humanos, só que elas conseguiram. E viram o pato Donald que as chamou pra comer no Mc Donald's já que lá ele tinha desconto. 
        Chegou o dia do duelo. E as girafas ganharam. James teve de dar um pote de sorvete de chuchu e um CD do Rio Negro e Solimões já que elas adoravam. James Bond foi se encontrar com o James Blunt. As girafas invadiram o programa da Ana Maria Braga e sequestraram o loro José, enquanto o James Bond e o James Blunt, ensinavam todos os telespectadores a fazer vitamina de sorvete de chuchu.
        Eles saíram de lá, e a rede globo estava lotada de fãs, não dos James, mas sim das girafas! Agora faziam parte da mídia! Seus planos
foram conquistados. Depois elas andaram sobre de um monte de tomate e morreram pifadas! Fim! Ou um novo começo? Vai saber.
 
 
Rayane Rodrigues, 12 anos.

Sol Marinho

Os talheres bateram com força suave sobre os pratos. A conversa prosseguiu, mas aquilo me interrompeu. Aquele barulhinho. Como o som que fez nascer o mundo. Como sinos que anunciam o nascimento das fadas. Como o amarelo do céu queimando as asas dos pássaros miúdos. E feito bolas gigantes de borracha e tinta acrílica, um  envolto no egocetrismo do outro, pulavam e se tocavam destrambelhados. Não percebiam a orquestra de metal e louça. Silenciei-me. Eu que sempre tenho algo absurdo a dizer, quietei-me como em reverência aos músicos inanimados. Olhou-me de canto – aqueles olhos poderiam ser da cor que quisessem, poderiam ser laranjados com roxo, que ainda assim o brilho que eles tinham seria o assunto principal da mesa que parecia querer jogar sua toalha no chão e usar suas quatro pernas para dançar com os jovens.  Nos entendemos sem precisar dizer a que viemos. Eu que tenho Lua em Câncer, uma maternal de calças jeans e sapatos vermelhos,  o acolhi como se fosse meu filho, mesmo ele sendo um bocadinho mais velho que eu.  Talvez só em idade. Notei que a presença dele era movimentada, pois me senti descalça correndo entre os lobos, ao mais suave movimento de suas mãos que gesticulavam expressivas. E gostei.  Coloquei a culpa no meu ascendente em aquário. O amor nasce rápido, quando tem que ser. Com os pés apontados para a Lua, pulei de cratera em cratera procurando minha essência tanto tempo censurada. Lunática, é eu sou mesmo, graças a Deus. Isso quer dizer que você ou vai dar muito certo, ou vai dar muito errado, alguém me diz. Preferi nem pensar a respeito. Me senti elogiada e ofendida demais para responder. Mas a verdade é que algo entre nós me preocupava. Sabíamos o destino dos de espírito indomável. É um destino curto e bem vivido. Nego minha natureza constantemente, mas ela transborda, e sou descoberta quando achava que nem mais assim era. Ele me ensinou a tocar uma música do Pearl Jam. Tom em  Sol. (Lá) vem outra música (dó)urada, pensei. Vários sóis cintilavam nas cordas, e faziam brilhar os olhos das visitas. Algo muito louco nasceu ali. Me veio um aprendizado como um baque. Caí na real, e não doeu nem um pouco. Meus motivos até hoje ainda não eram meus.  Não era um sentimento maior ou menor.  Era algo sustenido, eu diria. Christopher McCandless, sua história mexeu comigo, cara.

8/9

"É. Tens razão." -

A frase que encerra os conflitos desnecessários
com os donos da verdade.


; )

Beijos e sei lá



Experimente, sei lá, abraçar o porteiro do prédio onde você trabalha, assim que chegar pela manhã. Não pega bem, vão dizer nos corredores que você precisa de terapeuta, que seu lado boêmio tá demais esses dias, e no amigo oculto de fim de ano vão te dar um livro de auto-ajuda - o que é até melhor do que aqueles cds estranhos de mpb que sua tia cheia de luzes no cabelo finge que curte. Mas tente roubar uma risada ou um beijo de alguém em ausência coletiva, quando o papo é sobre silêncio. Você será vista como a heroína entre os mais corajosos, digna de que parem a conversa sobre (o quê  mesmo?) quando estiver passando - mesmo que ninguém saiba o que você teve coragem de fazer. Troque de roupa rápido, e se puder, troque de pele também. Tente um espécie de revolução, nem que seja a silenciosa, fale com o rapaz do metrô, pergunte a ele se é só você que tá querendo mudar o mundo, ou se ele também é insolente a este ponto. Se você for mais ousada, eu indico cartazes pintados com tinta guache vermelha - Isso mostra que você é voraz. Pode até abraçar o policial, tirar onda, sabe? Você será presa e noticiada. Mas vai ser legal contar isso pros netos. Eu sou uma valente secreta, e as marcas eternas estão sob o tecido do corpo. Só a agulha tinge o desenho, e somente a grandeza bondosa personifica a minha missão. Porque o amor que move o mundo, sei lá, é uma coisa meio doida, fantástica, eu sempre me desnorteio quando vou falar a respeito. E daí segundos depois,  descubro que eu sou o tipo de pessoa que só se encontra, caso se perca - eu até gosto dessa parte - é o instante em que mais reencontro amigos que nunca havia visto antes. Hoje quero que coisas boas aconteçam, não imediatamente, mas quando forem pra acontecer. Porque eu preciso aprender mais sobre mim, e sobre o mundo, e sobre amor, matemática, carros, fotografia. E desaprender também né? Muitas vezes a melhor coisa é aprender uma coisa antiga, de um jeito novo. Que no nosso peito nasça a vontade da mudança, que saiamos do lugar comum, e que se isso significar sair do mundinho, do egoísmo autoritário, da canseira por motivo algum dos domingos, deixar pra trás coisas e pessoas que não valem a pena, opa, melhor ainda. Vamos tentar caminhar com nossos próprios pés, sem as amarras dos que sonham pra gente sonhos diferentes dos nossos. Fazer nossa própria história, e compartilhar com quem quiser ouvir e fazer parte. Tomar um café, um chopp, trocar uma ideia, destrocar outras. Rir da desgraça, e usá-la a nosso favor como inspiração ou motivação - a gente pode até fazer um samba, ou construir um império, é só escolher. Errar, tentar, errar, persistir, mudar, vencer. Experimentar primeiro, e dar o veredicto depois. É isso o que eu sei, e mesmo assim, sei lá. - Não por dúvida, mas como preenchimento final para que não pareça que acredito que sei de tudo - graças a Deus, não sei. Cada dia percebo que ainda tenho muito a aprender. Com tudo. Com todos. Com Deus, e o mundo.







Beijos, sei lá.
( quase que sei aqui também)












Azul e Vermelho

 Encontrei algumas fotos de três, quatro anos atrás. Veja bem, nem é tanto tempo assim, mas as mudanças que ocorrem nesse meio período, beiram ao nascer de novo. Claro, até porque, com o passar dos anos, você acaba por aprender muitas coisas sobre a vida, como por exemplo: Acordar bem cedo, pegar estrada, ir ao armazém daquela cidadezinha, comprar sorvete de morango com leite condensado, e passar o dia inteiro comendo e tirando fotos, não parece algo que possa parar o mundo ou estampar a primeira página dos jornais. Mas anos depois, você olha com saudade, e quase queria que o tempo não tivesse passado, por mais que a sua pele tenha melhorado bastante. Aprende também, que em um dia em que tudo dá errado, e a chuva (literalmente) não para de cair, percebe que não há nada que aqueça mais o coração do que um abraço quente daquela pessoa que você admira, e que um dia só acaba ruim se você quiser, por exemplo, a apresentação de escola não deu certo após tanto trabalho? Bem, vamos para casa pedir pizza e passar a noite inteira gravando vídeos fingindo que somos estrelas do rock, com nossas guitarras imaginárias. Percebe também, que a existência é um sopro, que não somos absolutamente nada diante dessa grandiosidade chamada vida, por isso é preciso humildade, ninguém é melhor do que ninguém. Aprende também, que antes de decidir adotar um porco, e optar por dar um nome estrangeiro a ele, é preciso pesquisa, ou então ele corre o risco de ser nomeado de God Save the Queen, só porque aos doze anos, você era fã de Sex Pistols e não sabia falar inglês. Também que garotos são implicantes por natureza, e quando se é garota e age como eles, eles realmente acreditam nisso, e falam assim, não é bem uma menina sabe? Ela é uma de nós. Que há pessoas que você não tem mais contato, mas que sempre se recorda delas com carinho, e torce por elas, e deseja que elas sejam grandes na vida, tão grandes quanto o coração que possuem. Também percebe que a tia da limpeza pode ser uma ótima psicóloga, e que tem aquela risada gostosa que faz você rir também. Que subir uma ladeira pra voltar pra casa, nem é tão cansativo assim, se você está na boa companhia dos músicos da escola, os ex-futuros astros, que hoje em dia estudam contabilidade. Que todo mundo passa pela fase ‘vou ser fotógrafo’ , e nessa fase os pés sempre são o grande alvo. Que usar um cadarço de cada cor até é interessante, porque você fica conhecida como “ a menina dos cadarços trocados” Mas é ruim, porque também ganha a fama de " a menina de ideias trocadas". Que as peças da escola rendem fotos constrangedoras. Que tem gente que é pra sempre ( principalmente se vocês ficaram amigas: porque eram as únicas meninas de treze anos da escola obcecadas por supernany, ou porque vocês nasceram no mesmo dia, no mesmo mês, e no mesmo ano). Que pintar o cabelo todo de azul é muito cool. Bem, na primeira semana é. Depois disso, ele fica inteiro igual a liga de pamonha, e bate um desespero imenso, vou ficar careca, é a única falsa certeza que surge. Que de uma forma ou de outra, nunca se está tão sozinho quanto pensa, alguém sempre aparece e ajuda, você sabe disso, não sabe? Normalmente a ajuda vem de quem menos se espera. Que  ás vezes quando duas pessoas são muito juntas, elas completam a frase uma da outra, ou aparecem de casaco verde sem combinarem. Que quando uma foto sai feia, você vira ela de cabeça pra baixo, e quando você sente saudades, você escreve, e manda luz para as pessoas, esperando que tudo esteja bem, esperando que elas também sintam saudades quando estão vendo fotos antigas. Aquelas, em que você está nelas, e sua pele não era tão bonita assim.

Na foto: Pés modelos fotográficos, e um sol que nem precisaria ter aparecido pra eu achar essa foto brilhante, na época. Digna de uma exposição com oitenta convidados selecionados, champagne francês e muita moranga.