20/10 e zero.

Temos o dom de cativar as pessoas mais improváveis. Ás vezes sequer sabemos.
Desejam nossa felicidade num cantinho bem quente no peito. Somos amados por muitos, em segredo. Querem se aproximar, ultrapassar as barreiras
da gentileza educada. Mas não sabem como, ou simplesmente não o fazem.  
Até que num dia qualquer, aquela pessoa que você jurava que era super indiferente ou não ia
muito com a sua cara, te vê e os olhos dela parecem faíscar. Ela está feliz.
Sem querer, deixa escapar que te considera, que te admira, que gosta muito do seu jeito.
E o olhar adianta-se para daqui a alguns meses, e as luzes de fim de ano borram a íris.
Tudo brilha, tudo lhe é confirmado, tudo te ilumina por dentro. E você retribui o olhar com
naturalidade como se aquilo não tivesse lhe trazido furacões para o pensamento.

"É muito bom te ver também."
Virei, e meu sorriso fechou meus olhos.

: )
"
Pois queríamos ser épicos heróicos românticos descabelados suicidas, porque era duro lá fora fingir que éramos pessoas como as outras.
"

É desse jeito, Caio. Desse jeitinho.

Estrelas de metal

Sei lá, parece que desde cedo somos instruídos a precisar dos aplausos. Como que se não houvesse o som da aprovação, o trabalho não ficasse completo, e não fizesse muito sentido continuar. E então eu me toquei. Eu não preciso disso, ninguém precisa disso. A verdade é que a evolução é muito maior entre as vaias, e no silêncio desgostoso dos que notavelmente já desistiram, ou sequer acreditaram realmente em você. Mas a trajetória não é sobre agradar. É sobre constantemente buscar melhorar o que se é e o que se faz. É arriscar e fazer o que acredita independentemente dos gritos contrários da multidão. É sobre não se esconder. É principalmente, fazer o que o seu coração diz que deve ser feito. Porque a força interior basta. E se aprende que não são as dificuldades, e muito menos as pessoas que podem te dizer que você não é capaz, e que você não vai conseguir aquilo que você sonha. O seu sonho é seu. Apenas você pode abandoná-lo no meio do caminho. Apenas você tem esse poder. E percebe, que opiniões contrárias são de incrível benefício. As pessoas mais inspiradoras são aquelas que realmente tinham tudo para dar errado, mas não deram. Acredito que porque sua natureza secreta e grandiosa as impulsionaram a isso. A lutaram através dos dias ruins, em busca dos melhores dias da História. Hoje em dia, nem minhas zonas de confortos são lá muito confortáveis. Mas eu meio que viciei nisso. Em me jogar nas situações, e sorrir dos rostos escandalizados. É assim mesmo, para todos os que tem tudo para dar errado. Não apenas aguento as vaias, como notavelmente as provoco de peito aberto.
E as coisas vão piorar daqui pra frente.
E que venham os tomates.

; D

Beijos.

A Espiã Russa de Tênis Vermelhos

Eu apenas disse, tchau. E ainda por cima sorri sem mostrar os dentes. Olhei para quatro olhos, que eram como estrelas no topo da árvore de natal - brilhantes, solitários, chamativos demais. Todos os corpos rígidos, em uniformes escuros, pareciam homens que não tiram as botas nem para tomar banho. E tomam banho dentro da máquina de lavar que é para não terem de tirar o terno. E andam como robôs que milagrosamente em sua programação há fios amarelos que fingem ser artérias. Contrariando o ritmo da investigação, eles sorriram de volta muito mais aberto do que eu. Um me disse, bom descanso! Com um entusiasmo na voz que me deu vontade de pular corda, e não de dormir. O outro falou, tudo de bom pra sua vida! Peraí. "Tudo de bom pra sua vida (?)" . Nesse instante eu realmente senti que todas as coisas boas me atingiram, mesmo que num tempo lá no futuro. Não aguentei. Sorri tão aberto que meus olhos fecharam. Fui pega no flagra, mas que coisa. Os corpos ao redor gargalharam em contido. A pele vibrava por causa das ondas magnéticas causadas pela gentileza entre estranhos. Em segundos, percebi as pessoas no Alaska se aquecendo. Ciganos dançando um som festivo com seus pés descalços. Ouvi o pai de dois meninos recebendo a notícia que sua mulher agora era a casinha de uma menina. Percebi alguém se levantado secretamente da queda que todos juravam ser o destino final. Presenciei milhares de estrelas azuis nascendo. Senti um clássico do rock dedilhado nas linhas dos meus dentes. Continuei a caminhar. Disfarçadamente,olhei para trás com meus olhos pequenos. Jamais notariam que eu os estava observando. Pensariam que eu estava tão, mas tão cansada que comecei a dormir andando. Eu longe, quietaram. Mexeram em papéis aleatórios. As pessoas estavam tão apressadas que nem disseram tchau. Não sorriram nem meio movimento. Que tão apressadas não receberam a luz atenciosa dos nobres guardiões dos portais de marmóre e acrílico da Avenida Norte. Voltando a ser uma cidadã comum, e não mais uma membro da KGB inserida numa sociedade que vai contra os meus princípios de igualdade, acenei alto. Queria vê-los se iluminando novamente. Deve ter funcionado. Talvez de uma forma tão potente que ultrapassou seus corpos e atingiu o meio. Sei disso porque assim que coloquei os pés para fora, todos os postes da rua se acenderam. E eu ascendi.

As Girafas Robôs Malignas

  

Era uma vez uma girafa maligna robô que queria dominar o mundo. Ela e suas amigas foram ao mercado mais próximo comprar sorvete de chuchu para ajudá-las em seu plano maquiavélico. Só que lá não tinha sorvete de chuchu.
     Então as girafas malignas robôs que queriam dominar o mundo resolveram ir andar de skate pra ver se pensavam em alguma coisa mais macabra. Quando elas foram para a pista de skate elas viram um assalto no qual o assaltante que assaltava as pessoas por profissão era um cara vestido de cachorro-quente que trabalhava no giraffas. As girafas sofreram um trauma irreversível. Aí elas desistiram de andar de skate e foram a procura de um esporte mais radical. Foram andar de patinete no bosque.
     Chegando lá, a girafa mais alta de todas, viu um all star laranja e saiu correndo, só que ela caiu no chão, não sangrou claro,porque ela era um robô. Andando mais um pouco elas viram um urso panda tocando piano em cima de uma árvore. A girafa robô, revoltada do jeito que era, deu chacoalhadas na árvore, e o urso caiu no chão.As girafas riram muito dele. 
    Só que o urso não era um urso! O urso era o James Bond disfarçado em uma missão para descobrir onde ficava a casa da mãe Joana.
James não ficou quieto e chamou a girafa para um duelo de lutas marciais. 
A girafa aceitou e teve que desmarcar uma viagem interplanetária somente para comer pizzas de cosmos jupterianos, agora já era tarde demais, o duelo já era certo! 
    As girafas foram comer hamburguer no girafas, já que lá elas tinham desconto! Depois foram jogar basquete, porque, porque elas quiseram mesmo.
    E do nada apareceu o Jack Chan sua tribo de ninjas que sabiam dançar o chá-chá-chá. Foi mó bagunça, porque todos queriam pular no teto do shopping, mas o Jack Chan e sua tribo deram um jeito em tudo. 
As girafas tentaram correr dos homens humanos, só que elas conseguiram. E viram o pato Donald que as chamou pra comer no Mc Donald's já que lá ele tinha desconto. 
        Chegou o dia do duelo. E as girafas ganharam. James teve de dar um pote de sorvete de chuchu e um CD do Rio Negro e Solimões já que elas adoravam. James Bond foi se encontrar com o James Blunt. As girafas invadiram o programa da Ana Maria Braga e sequestraram o loro José, enquanto o James Bond e o James Blunt, ensinavam todos os telespectadores a fazer vitamina de sorvete de chuchu.
        Eles saíram de lá, e a rede globo estava lotada de fãs, não dos James, mas sim das girafas! Agora faziam parte da mídia! Seus planos
foram conquistados. Depois elas andaram sobre de um monte de tomate e morreram pifadas! Fim! Ou um novo começo? Vai saber.
 
 
Rayane Rodrigues, 12 anos.

Sol Marinho

Os talheres bateram com força suave sobre os pratos. A conversa prosseguiu, mas aquilo me interrompeu. Aquele barulhinho. Como o som que fez nascer o mundo. Como sinos que anunciam o nascimento das fadas. Como o amarelo do céu queimando as asas dos pássaros miúdos. E feito bolas gigantes de borracha e tinta acrílica, um  envolto no egocetrismo do outro, pulavam e se tocavam destrambelhados. Não percebiam a orquestra de metal e louça. Silenciei-me. Eu que sempre tenho algo absurdo a dizer, quietei-me como em reverência aos músicos inanimados. Olhou-me de canto – aqueles olhos poderiam ser da cor que quisessem, poderiam ser laranjados com roxo, que ainda assim o brilho que eles tinham seria o assunto principal da mesa que parecia querer jogar sua toalha no chão e usar suas quatro pernas para dançar com os jovens.  Nos entendemos sem precisar dizer a que viemos. Eu que tenho Lua em Câncer, uma maternal de calças jeans e sapatos vermelhos,  o acolhi como se fosse meu filho, mesmo ele sendo um bocadinho mais velho que eu.  Talvez só em idade. Notei que a presença dele era movimentada, pois me senti descalça correndo entre os lobos, ao mais suave movimento de suas mãos que gesticulavam expressivas. E gostei.  Coloquei a culpa no meu ascendente em aquário. O amor nasce rápido, quando tem que ser. Com os pés apontados para a Lua, pulei de cratera em cratera procurando minha essência tanto tempo censurada. Lunática, é eu sou mesmo, graças a Deus. Isso quer dizer que você ou vai dar muito certo, ou vai dar muito errado, alguém me diz. Preferi nem pensar a respeito. Me senti elogiada e ofendida demais para responder. Mas a verdade é que algo entre nós me preocupava. Sabíamos o destino dos de espírito indomável. É um destino curto e bem vivido. Nego minha natureza constantemente, mas ela transborda, e sou descoberta quando achava que nem mais assim era. Ele me ensinou a tocar uma música do Pearl Jam. Tom em  Sol. (Lá) vem outra música (dó)urada, pensei. Vários sóis cintilavam nas cordas, e faziam brilhar os olhos das visitas. Algo muito louco nasceu ali. Me veio um aprendizado como um baque. Caí na real, e não doeu nem um pouco. Meus motivos até hoje ainda não eram meus.  Não era um sentimento maior ou menor.  Era algo sustenido, eu diria. Christopher McCandless, sua história mexeu comigo, cara.

8/9

"É. Tens razão." -

A frase que encerra os conflitos desnecessários
com os donos da verdade.


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