Eu gosto muito daquela menina. As coisas que ela escreve e fotografa. Cabelo grisalho, batom lilás. Casaco de lã que interrompe pingos de chuva. Feiticeira do tempo, da minha atenção fraternal. Ela tem uns treze anos. Acredito que seja a única idade da vida que a gente se acha adulto. Que sabe exatamente o que dizer, como ser. Mesmo explodindo por dentro . Aos poucos a relatividade pinta nossas unhas, nossas ações, o gosto musical. A gente sabe que alguns atos serão arrependidos, e imperdoáveis. A estranha arrogância juvenil, é irritante, mas é charmosa, quase palatável. As calças rasgadas, as risadas histéricas no fundo do vagão. Adultos são tão insuportavelmente silenciosos, e inconvenientes. São verduras cozidas ao vapor. Sobre o que fazer da vida, converso com os de 13, os de 53. É unanimidade, não sabemos. Conseguimos tanto, mas somos inconformados. Acredito que porque nossa alma não pertence a esse mundo. Não somos daqui. Gostamos do café,da loucura, da emoção, do jogo. Mas nossa memória vive nos remetendo a um lugar que não conhecemos. Ou não lembramos que pertencemos. Sombras de galhos tatuam o meu rosto sob o sol forte de brasília. Eu não leio nem como tanto quanto deveria. Vou pensando nas viagens, nos lugares, nos fim de mundos que quero por meu pé. E a sensação é a mesma. Os lugares são bem comuns à minha alma. Em qualquer lugar que vou, pareço estar no meu quarto. Vão se passar os anos, e sempre vão dizer quem você deve ser. Você também faz isso com as pessoas. Isso é chato. Até mesmo com aquelas que pintam os dedos de azul de tanto impulso pra tocar o céu. Deixe os outros em paz. Se deixe em paz, filho. Então a gente se quebra, e vive momentos inspiradores, e eu me parto todos os dias em busca daqueles poucos segundo de altruísmo e de coragem animalesca. Conversando com amigos antigos, eu percebi, ainda me vêem como um animal foragido que nunca aceitou perder. Gostaria de cozinhar as minhas roupas brancas. Desenhar girassóis com o caule de uma flor dourada. Que lugar, que sonho realizado, vai me trazer essa sensação? Nunca cometa a idiotice de se perguntar o que o mundo quer de você. Porque o joguete é suspeito. Te empurram de um lado para o outro até você ser do formato requerido. Depois lhe descartam por ser apenas mais um. Você sabe sim o que quer da vida. Mas tem medo. Eu rompi com o glória do mundo, e hoje piso em terras desconhecidas que algum Maluco me guia. Me perguntam, onde você está indo? Eu não sei, e estou descansada. Coisas grandiosas estão acontecendo, Mas é segredo. E pele. E vento. E Deus. E que apenas recebamos qualquer ganho, quando nosso coração estiver disposto a doar quinze vezes mais. Eu ainda tenho tanto o que evoluir. E escrever.
(e esquecer.)

A menina do cabelo verde

Iluminava a minha vida como se eu fosse o satélite natural, e ela a maior estrela de todas. Suas falas verdadeiras eram como se fossem flocos de neve caindo lentamente nas costas dos que nasceram nos trópicos – uma surpresa fria, porém alegre. Dia após dia eu via seu cabelo de cor incomum crescendo, juntamente com o sentimento aqui dentro, que mais tarde descobri que era esperança tingida de uma cor que eu desconhecia o nome. Tudo aquilo me fazia feliz, de tal forma que era como se essa fosse a única sensação que existisse para possuir.                                                           Quando a menina tomou o impulso do respiro para iniciar um pedido, imediatamente respondi, sim, claro, vamos imediatamente. Não houve alarde ao redor. Ela engoliu o ar, que acabou por fornecer oxigênio para que lhe nascesse um sorriso amarelo na face. Em seguida falou, eu não sabia que você lia pensamentos. E eu não lia. Eu mal leio letreiros gigantescos em avenidas minúsculas. Só leio livros, mas respondi, eu leio até as almas dos que ainda nem nasceram, leio até os contos que jamais serão escritos. Ela ficou impressionada, e meu interior tingiu-se de vermelho. De tanto orgulho, de tanta timidez que jamais demonstro – que é para a cor não misturar-se com o tom do cabelo dela, e atiçar o meu daltonismo.                                                                  
      Pronto, chegamos, ela me mostrou o local utilizando suas mãos que pareciam mais felizes que a boca que sorria cheia de dentes. Balançavam frenéticas como se estivesse a coreografar uma música rápida e moderna. Até suas unhas cor de escarlate sorriam faceiras do meu equívoco. Como pude, eu me questionava, meu Deus, meu Deus, como pude compactuar com um absurdo desses, eu me desesperava em silêncio. Não mais era eu um homem. Agora era eu, uma extensão da loucura imposta, a tinta que secou no pote, um menino que compactou inocentemente com o fim do mundo.                                                     
    Pensando bem, nem tudo está perdido, eu dizia para mim, tentando me acalmar e despistar o meu desespero – que não foi me procurar na esquina como eu havia mandado, ao invés disso, grudou na minha roupa e a descoloriu até que ficasse cinza e mole. O que você vai fazer aí dentro, perguntei pausadamente, como se estivesse inventando palavras com raízes provenientes do latim. Vou cortar o cabelo, ela respondeu com uma naturalidade que cortou os meus fios capilares com uma rapidez que cresceram tão rápido, que nem ela nem o tempo repararam. Ela abriu a porta e entrou. Eu poderia tê-la impedido, mas o dia confuso anunciava o fim do verde. Para sempre.                                                                                                                     
     Enquanto o cabeleireiro e a menina compactuavam com a morte de uma cor, convencidos de que eram criminosos inocentes, eu podia ver através do vidro meio embaçado da barbearia, o caos brotando no asfalto do lado de fora, como se fossem árvores sem copas – pois a cor que lhes pertencia em pouco tempo se tornaria uma daquelas estórias contadas pelas avós sobre como os tempos antigos eram bem melhores que os atuais.                                                                                                                              A razão para isso, é que parecia que a abundância do mundo tinha origem na cor das pontas do cabelo dela. Cortava e lá ia toda a esperança do mundo. Os conselhos de paz foram ruídos. O povo parou de votar. As crianças desistiram das aulas de piano. As moças deram as costas paras as janelas. Os rapazes abandonaram os estudos. As mães desligaram a TV bem na hora da novela. Os pais não colocaram os carros na garagem. Os professores passaram a falar de trás pra frente, os políticos se mataram afogados em um mar que está sobre nossas cabeças. A confusão seca fez voar os objetos como se fossem fadas, e em pilhas, cada coisa, em seu estado mais desagregado e não polido, encontrou abrigo na outra coisa que também teve coragem de expor a sua feiúra mágica e real. Enquanto nós, os de espírito jovem, apagamos a nossa arrogância de querer ter sempre razão. Sorrimos quase orgulhosos. Em nada nos afetou. Somos livres de toda a vontade, de todos os desejos. O tanto faz após árdua luta, mora dentro de nós.                         Quando ela corta o cabelo, apenas observo enquanto a loucura ao redor se propaga como cura contagiosa. A esperança acabou. Ela cortou o cabelo e o tom verde se foi. O abrir mão nos salvou da crueldade do precisar. Não precisamos de nada. Somos jovens e despretensiosamente pretensiosos. Insolentes. Não sabemos o nosso lugar. Aparentemente sem futuros. Não somos prisioneiros do tempo. Entregamo-nos completamente a arte, como se esta fosse o refúgio para os tempos de guerra não declarada. Como se o amor caísse feito chuva sobre nossas cabeças, e nos abençoasse com a simplicidade e com a luz dos que querem e vão mudar o mundo. Dos que olham para o lado e vêem mais do que matéria. Percebem a vida celebrando sua grandiosidade genuína como que se a duas nações irmãs por palavras escritas, faladas, e principalmente sentidas na ponta da língua, igual a tempero forte de nasce em terras distintas.                                                                                                                                          Acabei moça, você ficou linda, o cabeleireiro frisou o óbvio, ela sorriu com simpatia, obrigada, respondeu. Deixa só eu abrir essa janela, aqui está meio abafado, ele se dirigiu ao canto esquerdo do salão. Ah ele não sabia, ah, eles nem imaginavam a bagunça que haviam provocado, e que iam além daqueles fios esverdeados sobre o chão alvo. Eu que não ia dizer. Eu apenas ia esperar. Que desordem Jesus, e tudo isso a troco de absolutamente nada. Eu sorri por dentro. Sorriso de desespero faminto de ser devorado e em seguida, inexistido.                                                                                                                              O vento entrou acreditando que era um convidado espaçoso e poderia derrubar tudo que apenas iríamos achar graça como as mães de meninos mimados. O ar em movimento sacudiu e soprou os pensamentos da mente dela para a minha. Sei por que de repente todas as minhas visões e ideias ficaram confusas e da cor vestígio da tinta do cabelo dela.  E em ato de escambo imposto, sorriso do meu peito foi parar nos lábios da garota. Ela sorriu de volta e depois eu... Fiquei sem palavras.                                                      Comecei a pensar, mesmo que haja o caos lá fora procurarei manter a paz dentro de mim, não como algo branco e característico, mas sim de todas as cores, como um corpo que foi alimentado de sangue de várias etnias, com um pertencer ao mundo que me faça ouvir mais do que falar, que desperte em mim a vontade de seguir em frente mesmo quando tudo estiver errado, e saber que lá na frente tudo vai valer a pena. Sorri confortável, pronto para a luta elegante do argumento, para a revolução das palavras. Segurei a mão a mão da garota, e acenei para o barbeiro como ato de homenagem para um veterano repleto de honra. Abri a porta. O vento nos seguiu, empurrou os fios verdes para fora da porta e os espalhou pela rua. A esperança voltou para o mundo, e tudo voltou a ser como era antes. Menos eu.
 (2010)

20/10 e zero.

Temos o dom de cativar as pessoas mais improváveis. Ás vezes sequer sabemos.
Desejam nossa felicidade num cantinho bem quente no peito. Somos amados por muitos, em segredo. Querem se aproximar, ultrapassar as barreiras
da gentileza educada. Mas não sabem como, ou simplesmente não o fazem.  
Até que num dia qualquer, aquela pessoa que você jurava que era super indiferente ou não ia
muito com a sua cara, te vê e os olhos dela parecem faíscar. Ela está feliz.
Sem querer, deixa escapar que te considera, que te admira, que gosta muito do seu jeito.
E o olhar adianta-se para daqui a alguns meses, e as luzes de fim de ano borram a íris.
Tudo brilha, tudo lhe é confirmado, tudo te ilumina por dentro. E você retribui o olhar com
naturalidade como se aquilo não tivesse lhe trazido furacões para o pensamento.

"É muito bom te ver também."
Virei, e meu sorriso fechou meus olhos.

: )
"
Pois queríamos ser épicos heróicos românticos descabelados suicidas, porque era duro lá fora fingir que éramos pessoas como as outras.
"

É desse jeito, Caio. Desse jeitinho.

Estrelas de metal

Sei lá, parece que desde cedo somos instruídos a precisar dos aplausos. Como que se não houvesse o som da aprovação, o trabalho não ficasse completo, e não fizesse muito sentido continuar. E então eu me toquei. Eu não preciso disso, ninguém precisa disso. A verdade é que a evolução é muito maior entre as vaias, e no silêncio desgostoso dos que notavelmente já desistiram, ou sequer acreditaram realmente em você. Mas a trajetória não é sobre agradar. É sobre constantemente buscar melhorar o que se é e o que se faz. É arriscar e fazer o que acredita independentemente dos gritos contrários da multidão. É sobre não se esconder. É principalmente, fazer o que o seu coração diz que deve ser feito. Porque a força interior basta. E se aprende que não são as dificuldades, e muito menos as pessoas que podem te dizer que você não é capaz, e que você não vai conseguir aquilo que você sonha. O seu sonho é seu. Apenas você pode abandoná-lo no meio do caminho. Apenas você tem esse poder. E percebe, que opiniões contrárias são de incrível benefício. As pessoas mais inspiradoras são aquelas que realmente tinham tudo para dar errado, mas não deram. Acredito que porque sua natureza secreta e grandiosa as impulsionaram a isso. A lutaram através dos dias ruins, em busca dos melhores dias da História. Hoje em dia, nem minhas zonas de confortos são lá muito confortáveis. Mas eu meio que viciei nisso. Em me jogar nas situações, e sorrir dos rostos escandalizados. É assim mesmo, para todos os que tem tudo para dar errado. Não apenas aguento as vaias, como notavelmente as provoco de peito aberto.
E as coisas vão piorar daqui pra frente.
E que venham os tomates.

; D

Beijos.

A Espiã Russa de Tênis Vermelhos

Eu apenas disse, tchau. E ainda por cima sorri sem mostrar os dentes. Olhei para quatro olhos, que eram como estrelas no topo da árvore de natal - brilhantes, solitários, chamativos demais. Todos os corpos rígidos, em uniformes escuros, pareciam homens que não tiram as botas nem para tomar banho. E tomam banho dentro da máquina de lavar que é para não terem de tirar o terno. E andam como robôs que milagrosamente em sua programação há fios amarelos que fingem ser artérias. Contrariando o ritmo da investigação, eles sorriram de volta muito mais aberto do que eu. Um me disse, bom descanso! Com um entusiasmo na voz que me deu vontade de pular corda, e não de dormir. O outro falou, tudo de bom pra sua vida! Peraí. "Tudo de bom pra sua vida (?)" . Nesse instante eu realmente senti que todas as coisas boas me atingiram, mesmo que num tempo lá no futuro. Não aguentei. Sorri tão aberto que meus olhos fecharam. Fui pega no flagra, mas que coisa. Os corpos ao redor gargalharam em contido. A pele vibrava por causa das ondas magnéticas causadas pela gentileza entre estranhos. Em segundos, percebi as pessoas no Alaska se aquecendo. Ciganos dançando um som festivo com seus pés descalços. Ouvi o pai de dois meninos recebendo a notícia que sua mulher agora era a casinha de uma menina. Percebi alguém se levantado secretamente da queda que todos juravam ser o destino final. Presenciei milhares de estrelas azuis nascendo. Senti um clássico do rock dedilhado nas linhas dos meus dentes. Continuei a caminhar. Disfarçadamente,olhei para trás com meus olhos pequenos. Jamais notariam que eu os estava observando. Pensariam que eu estava tão, mas tão cansada que comecei a dormir andando. Eu longe, quietaram. Mexeram em papéis aleatórios. As pessoas estavam tão apressadas que nem disseram tchau. Não sorriram nem meio movimento. Que tão apressadas não receberam a luz atenciosa dos nobres guardiões dos portais de marmóre e acrílico da Avenida Norte. Voltando a ser uma cidadã comum, e não mais uma membro da KGB inserida numa sociedade que vai contra os meus princípios de igualdade, acenei alto. Queria vê-los se iluminando novamente. Deve ter funcionado. Talvez de uma forma tão potente que ultrapassou seus corpos e atingiu o meio. Sei disso porque assim que coloquei os pés para fora, todos os postes da rua se acenderam. E eu ascendi.

As Girafas Robôs Malignas

  

Era uma vez uma girafa maligna robô que queria dominar o mundo. Ela e suas amigas foram ao mercado mais próximo comprar sorvete de chuchu para ajudá-las em seu plano maquiavélico. Só que lá não tinha sorvete de chuchu.
     Então as girafas malignas robôs que queriam dominar o mundo resolveram ir andar de skate pra ver se pensavam em alguma coisa mais macabra. Quando elas foram para a pista de skate elas viram um assalto no qual o assaltante que assaltava as pessoas por profissão era um cara vestido de cachorro-quente que trabalhava no giraffas. As girafas sofreram um trauma irreversível. Aí elas desistiram de andar de skate e foram a procura de um esporte mais radical. Foram andar de patinete no bosque.
     Chegando lá, a girafa mais alta de todas, viu um all star laranja e saiu correndo, só que ela caiu no chão, não sangrou claro,porque ela era um robô. Andando mais um pouco elas viram um urso panda tocando piano em cima de uma árvore. A girafa robô, revoltada do jeito que era, deu chacoalhadas na árvore, e o urso caiu no chão.As girafas riram muito dele. 
    Só que o urso não era um urso! O urso era o James Bond disfarçado em uma missão para descobrir onde ficava a casa da mãe Joana.
James não ficou quieto e chamou a girafa para um duelo de lutas marciais. 
A girafa aceitou e teve que desmarcar uma viagem interplanetária somente para comer pizzas de cosmos jupterianos, agora já era tarde demais, o duelo já era certo! 
    As girafas foram comer hamburguer no girafas, já que lá elas tinham desconto! Depois foram jogar basquete, porque, porque elas quiseram mesmo.
    E do nada apareceu o Jack Chan sua tribo de ninjas que sabiam dançar o chá-chá-chá. Foi mó bagunça, porque todos queriam pular no teto do shopping, mas o Jack Chan e sua tribo deram um jeito em tudo. 
As girafas tentaram correr dos homens humanos, só que elas conseguiram. E viram o pato Donald que as chamou pra comer no Mc Donald's já que lá ele tinha desconto. 
        Chegou o dia do duelo. E as girafas ganharam. James teve de dar um pote de sorvete de chuchu e um CD do Rio Negro e Solimões já que elas adoravam. James Bond foi se encontrar com o James Blunt. As girafas invadiram o programa da Ana Maria Braga e sequestraram o loro José, enquanto o James Bond e o James Blunt, ensinavam todos os telespectadores a fazer vitamina de sorvete de chuchu.
        Eles saíram de lá, e a rede globo estava lotada de fãs, não dos James, mas sim das girafas! Agora faziam parte da mídia! Seus planos
foram conquistados. Depois elas andaram sobre de um monte de tomate e morreram pifadas! Fim! Ou um novo começo? Vai saber.
 
 
Rayane Rodrigues, 12 anos.