Existe muitas formas de acabar com o dia de uma pessoa. Em especial, utilizando-se de pequenas frases. Sim, terríveis pequenas frases. Para alguns é, eu te odeio. Para mim é, vai comprar pão. Pois bem, eu fui. O de sempre, o de sempre, disse eu cutucando um daqueles bolos expostos, coloridos com um glacê que se esparrama, querendo fugir a qualquer custo da prisão transparente de celofane. Cor não gosta de ficar presa, os confeiteiros deviam saber disso antes de preparar os seus bolos horrorosos. O de sempre o quê? A moça me perguntou. O de sempre, oras, eu respondi entretida, apertando as embalagens. Entretida não. Tentando libertar as tonalidades. Ela olhou, moça, não sei o que você quer, disse em um tom meio suplicante. Meio que uma esposa tentando acobertar o marido traidor que se envolveu com a máfia, ou coisa assim. Eu a olhei com meus olhos de Al Pacino, e ela desesperou-se em segredo, eu senti o medo em seus olhos. Como assim você não sabe o que eu quero? Perguntei. E ela respondeu, não sei,quem é você. Percebi que ela queria voltar atrás no que havia dito, mas já era tarde demais, eu havia me transformado em Marlon Brando nascido em setembro. Ela me entregou o de sempre. Saí pela porta ao som de The GodFather. Eu olhei, soltei a fumaça do meu charuto imaginário. E quanto a moça, bem, ela está em um lugar melhor.
(É, ela é gerente agora.)
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hahahaha, muito bom =D
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