"É. Tens razão." -
A frase que encerra os conflitos desnecessários
com os donos da verdade.
; )
Beijos e sei lá
Experimente, sei lá, abraçar o porteiro do prédio onde você trabalha, assim que chegar pela manhã. Não pega bem, vão dizer nos corredores que você precisa de terapeuta, que seu lado boêmio tá demais esses dias, e no amigo oculto de fim de ano vão te dar um livro de auto-ajuda - o que é até melhor do que aqueles cds estranhos de mpb que sua tia cheia de luzes no cabelo finge que curte. Mas tente roubar uma risada ou um beijo de alguém em ausência coletiva, quando o papo é sobre silêncio. Você será vista como a heroína entre os mais corajosos, digna de que parem a conversa sobre (o quê mesmo?) quando estiver passando - mesmo que ninguém saiba o que você teve coragem de fazer. Troque de roupa rápido, e se puder, troque de pele também. Tente um espécie de revolução, nem que seja a silenciosa, fale com o rapaz do metrô, pergunte a ele se é só você que tá querendo mudar o mundo, ou se ele também é insolente a este ponto. Se você for mais ousada, eu indico cartazes pintados com tinta guache vermelha - Isso mostra que você é voraz. Pode até abraçar o policial, tirar onda, sabe? Você será presa e noticiada. Mas vai ser legal contar isso pros netos. Eu sou uma valente secreta, e as marcas eternas estão sob o tecido do corpo. Só a agulha tinge o desenho, e somente a grandeza bondosa personifica a minha missão. Porque o amor que move o mundo, sei lá, é uma coisa meio doida, fantástica, eu sempre me desnorteio quando vou falar a respeito. E daí segundos depois, descubro que eu sou o tipo de pessoa que só se encontra, caso se perca - eu até gosto dessa parte - é o instante em que mais reencontro amigos que nunca havia visto antes. Hoje quero que coisas boas aconteçam, não imediatamente, mas quando forem pra acontecer. Porque eu preciso aprender mais sobre mim, e sobre o mundo, e sobre amor, matemática, carros, fotografia. E desaprender também né? Muitas vezes a melhor coisa é aprender uma coisa antiga, de um jeito novo. Que no nosso peito nasça a vontade da mudança, que saiamos do lugar comum, e que se isso significar sair do mundinho, do egoísmo autoritário, da canseira por motivo algum dos domingos, deixar pra trás coisas e pessoas que não valem a pena, opa, melhor ainda. Vamos tentar caminhar com nossos próprios pés, sem as amarras dos que sonham pra gente sonhos diferentes dos nossos. Fazer nossa própria história, e compartilhar com quem quiser ouvir e fazer parte. Tomar um café, um chopp, trocar uma ideia, destrocar outras. Rir da desgraça, e usá-la a nosso favor como inspiração ou motivação - a gente pode até fazer um samba, ou construir um império, é só escolher. Errar, tentar, errar, persistir, mudar, vencer. Experimentar primeiro, e dar o veredicto depois. É isso o que eu sei, e mesmo assim, sei lá. - Não por dúvida, mas como preenchimento final para que não pareça que acredito que sei de tudo - graças a Deus, não sei. Cada dia percebo que ainda tenho muito a aprender. Com tudo. Com todos. Com Deus, e o mundo.

Beijos, sei lá.
( quase que sei aqui também)
Azul e Vermelho
Encontrei algumas fotos de três, quatro anos atrás. Veja bem, nem é tanto tempo assim, mas as mudanças que ocorrem nesse meio período, beiram ao nascer de novo. Claro, até porque, com o passar dos anos, você acaba por aprender muitas coisas sobre a vida, como por exemplo: Acordar bem cedo, pegar estrada, ir ao armazém daquela cidadezinha, comprar sorvete de morango com leite condensado, e passar o dia inteiro comendo e tirando fotos, não parece algo que possa parar o mundo ou estampar a primeira página dos jornais. Mas anos depois, você olha com saudade, e quase queria que o tempo não tivesse passado, por mais que a sua pele tenha melhorado bastante. Aprende também, que em um dia em que tudo dá errado, e a chuva (literalmente) não para de cair, percebe que não há nada que aqueça mais o coração do que um abraço quente daquela pessoa que você admira, e que um dia só acaba ruim se você quiser, por exemplo, a apresentação de escola não deu certo após tanto trabalho? Bem, vamos para casa pedir pizza e passar a noite inteira gravando vídeos fingindo que somos estrelas do rock, com nossas guitarras imaginárias. Percebe também, que a existência é um sopro, que não somos absolutamente nada diante dessa grandiosidade chamada vida, por isso é preciso humildade, ninguém é melhor do que ninguém. Aprende também, que antes de decidir adotar um porco, e optar por dar um nome estrangeiro a ele, é preciso pesquisa, ou então ele corre o risco de ser nomeado de God Save the Queen, só porque aos doze anos, você era fã de Sex Pistols e não sabia falar inglês. Também que garotos são implicantes por natureza, e quando se é garota e age como eles, eles realmente acreditam nisso, e falam assim, não é bem uma menina sabe? Ela é uma de nós. Que há pessoas que você não tem mais contato, mas que sempre se recorda delas com carinho, e torce por elas, e deseja que elas sejam grandes na vida, tão grandes quanto o coração que possuem. Também percebe que a tia da limpeza pode ser uma ótima psicóloga, e que tem aquela risada gostosa que faz você rir também. Que subir uma ladeira pra voltar pra casa, nem é tão cansativo assim, se você está na boa companhia dos músicos da escola, os ex-futuros astros, que hoje em dia estudam contabilidade. Que todo mundo passa pela fase ‘vou ser fotógrafo’ , e nessa fase os pés sempre são o grande alvo. Que usar um cadarço de cada cor até é interessante, porque você fica conhecida como “ a menina dos cadarços trocados” Mas é ruim, porque também ganha a fama de " a menina de ideias trocadas". Que as peças da escola rendem fotos constrangedoras. Que tem gente que é pra sempre ( principalmente se vocês ficaram amigas: porque eram as únicas meninas de treze anos da escola obcecadas por supernany, ou porque vocês nasceram no mesmo dia, no mesmo mês, e no mesmo ano). Que pintar o cabelo todo de azul é muito cool. Bem, na primeira semana é. Depois disso, ele fica inteiro igual a liga de pamonha, e bate um desespero imenso, vou ficar careca, é a única falsa certeza que surge. Que de uma forma ou de outra, nunca se está tão sozinho quanto pensa, alguém sempre aparece e ajuda, você sabe disso, não sabe? Normalmente a ajuda vem de quem menos se espera. Que ás vezes quando duas pessoas são muito juntas, elas completam a frase uma da outra, ou aparecem de casaco verde sem combinarem. Que quando uma foto sai feia, você vira ela de cabeça pra baixo, e quando você sente saudades, você escreve, e manda luz para as pessoas, esperando que tudo esteja bem, esperando que elas também sintam saudades quando estão vendo fotos antigas. Aquelas, em que você está nelas, e sua pele não era tão bonita assim.
Na foto: Pés modelos fotográficos, e um sol que nem precisaria ter aparecido pra eu achar essa foto brilhante, na época. Digna de uma exposição com oitenta convidados selecionados, champagne francês e muita moranga.
Na foto: Pés modelos fotográficos, e um sol que nem precisaria ter aparecido pra eu achar essa foto brilhante, na época. Digna de uma exposição com oitenta convidados selecionados, champagne francês e muita moranga.
Trecho Novelístico
"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."
Esse trecho eu ouvi ontem. Achei tão bonito que anotei rapidinho um pedaço pra procurar depois. Sei lá, achei tão incrível, e bonito, e o amor acaba, mas não se preocupa não, que ele nasce de novo.
Na foto: Eu, eu mesma, e a sombra do varal no quintal.
Na foto: Eu, eu mesma, e a sombra do varal no quintal.
E eles dizem, hum.
Tão bom. Ando saindo de uma nova zona de conforto a cada cinco minutos. E depois que aquele friozinho na barriga passa, e o coração começa a desacelerar, começo a perceber, quero mais disso. Quero mais disso todos os dias, quero mais disso a cada cinco minutos. Meu corpo tá tão cansado. Mas a minha alma tá tão feliz que compensa.
Na foto: Meus joelhos, minha pintinha, e meu vestido que uso ou quando tá muito quente, ou quando estou cansada. Hoje está acontecendo as duas situações. Mas se eu tivesse um vestido para usar nos dias felizes e exaustivos, sem dúvida, eu o estaria usando nesse momento.
Na foto: Meus joelhos, minha pintinha, e meu vestido que uso ou quando tá muito quente, ou quando estou cansada. Hoje está acontecendo as duas situações. Mas se eu tivesse um vestido para usar nos dias felizes e exaustivos, sem dúvida, eu o estaria usando nesse momento.
Al Capone nº5
Existe muitas formas de acabar com o dia de uma pessoa. Em especial, utilizando-se de pequenas frases. Sim, terríveis pequenas frases. Para alguns é, eu te odeio. Para mim é, vai comprar pão. Pois bem, eu fui. O de sempre, o de sempre, disse eu cutucando um daqueles bolos expostos, coloridos com um glacê que se esparrama, querendo fugir a qualquer custo da prisão transparente de celofane. Cor não gosta de ficar presa, os confeiteiros deviam saber disso antes de preparar os seus bolos horrorosos. O de sempre o quê? A moça me perguntou. O de sempre, oras, eu respondi entretida, apertando as embalagens. Entretida não. Tentando libertar as tonalidades. Ela olhou, moça, não sei o que você quer, disse em um tom meio suplicante. Meio que uma esposa tentando acobertar o marido traidor que se envolveu com a máfia, ou coisa assim. Eu a olhei com meus olhos de Al Pacino, e ela desesperou-se em segredo, eu senti o medo em seus olhos. Como assim você não sabe o que eu quero? Perguntei. E ela respondeu, não sei,quem é você. Percebi que ela queria voltar atrás no que havia dito, mas já era tarde demais, eu havia me transformado em Marlon Brando nascido em setembro. Ela me entregou o de sempre. Saí pela porta ao som de The GodFather. Eu olhei, soltei a fumaça do meu charuto imaginário. E quanto a moça, bem, ela está em um lugar melhor.
(É, ela é gerente agora.)
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(É, ela é gerente agora.)
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Deep Lu
" Numa cena um pouco mais introvertida, não eram cd's, eram livros, conheci Lucas. Ele estava tão Johnny, e eu tão Charlotte ouvindo Radiohead, mas não era Radiohead, era a respiração dele que os livros tentavam roubar para obter um fôlego mais substancial as estórias que abrigam. Não fiz nada para chamar a atenção dele. E eu que sempre fui tão Clementine, me percebi Joel."
O.D.T.
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