Trecho Novelístico

"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba." 


Esse trecho eu ouvi ontem. Achei tão bonito que anotei rapidinho um pedaço pra procurar depois. Sei lá, achei tão incrível, e bonito, e o amor acaba, mas não se preocupa não, que ele nasce de novo. 


Na foto: Eu, eu mesma, e a sombra do varal no quintal. 

E eles dizem, hum.

Tão bom. Ando saindo de uma nova zona de conforto a cada cinco minutos. E depois que aquele friozinho na barriga passa, e o coração começa a desacelerar, começo a perceber, quero mais disso. Quero mais disso todos os dias, quero mais disso a cada cinco minutos. Meu corpo tá tão cansado. Mas a minha alma tá tão feliz que compensa.

Na foto: Meus joelhos, minha pintinha, e meu vestido que uso ou quando tá muito quente, ou quando estou cansada. Hoje está acontecendo as duas situações. Mas se eu tivesse um vestido para usar nos dias felizes e exaustivos, sem dúvida, eu o estaria usando nesse momento. 

Al Capone nº5

Existe muitas formas de acabar com o dia de uma pessoa. Em especial, utilizando-se de pequenas frases. Sim, terríveis pequenas frases. Para alguns é, eu te odeio. Para mim é, vai comprar pão. Pois bem, eu fui. O de sempre, o de sempre, disse eu cutucando um daqueles bolos expostos, coloridos com um glacê que se esparrama, querendo fugir a qualquer custo da prisão transparente de celofane. Cor não gosta de ficar presa, os confeiteiros deviam saber disso antes de preparar os seus bolos horrorosos. O de sempre o quê? A moça me perguntou. O de sempre, oras, eu respondi entretida, apertando as embalagens. Entretida não. Tentando libertar as tonalidades. Ela olhou, moça, não sei o que você quer, disse em um tom meio suplicante. Meio que uma esposa tentando acobertar o marido traidor que se envolveu com a máfia, ou coisa assim. Eu a olhei com meus olhos de Al Pacino, e ela desesperou-se em segredo, eu senti o medo em seus olhos. Como assim você não sabe o que eu quero? Perguntei. E ela respondeu, não sei,quem é você. Percebi que ela queria voltar atrás no que havia dito, mas já era tarde demais, eu havia me transformado em Marlon Brando nascido em setembro. Ela me entregou o de sempre. Saí pela porta ao som de The GodFather. Eu olhei, soltei a fumaça do meu charuto imaginário. E quanto a moça, bem, ela está em um lugar melhor.

(É, ela é gerente agora.)

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Deep Lu



" Numa cena um pouco mais introvertida, não eram cd's, eram livros, conheci Lucas. Ele estava tão Johnny, e eu tão Charlotte ouvindo Radiohead, mas não era Radiohead, era a respiração dele que os livros tentavam roubar para obter um fôlego mais substancial as estórias que abrigam. Não fiz nada para chamar a atenção dele. E eu que sempre fui tão Clementine, me percebi Joel."

                                                                     O.D.T.

Aquele menino lá, o tal de Caio.

Ai, esse menino viu? há vezes que sinto que somos iguais, com o mesmo signo zodiacal, com a mesma vontade de doçuras e de loucuras inatigíveis, eterna fé extrema e repentina descrença desnecessária nas pessoas, e estas coisas de virginianos. E eu olho assim, que conforto me dá, um ser humano que nasceu tão antes de mim, que nunca me olhou, que nunca soube de um segredo meu, que nunca foi interrompido pelas minhas falas ininterruptas que quase cegam todos ao meu redor, ser quase o que sou, só que um pouquinho melhor e com um cigarro na boca. É, ao menos este vício eu consegui largar. Este de ser boa pessoa com quem não me merece.


Na foto: Alguns dos meus 63 livros literários favoritos. Mandei eles se arrumarem para tirar foto, e estes se aprontaram primeiro, os outros meio que reclamaram pois detestam tirar foto, nem na época de escola tiravam para aqueles calendários horríveis que as mães nos obrigam a fazer (para guardar de lembrança). Os óculos apareceram apenas para que quem viesse por aqui, pensasse que sou culta e profunda, mas a verdade é que estou bem longe disso. Odeio usar óculos. Odeio analisar as coisas, e as pessoas. Opto por senti-las ao invés de julgá-las com base no que acredito, ou desacredito. A xícara é de café, mas eu estava tomando chá feito de folhas do quintal. Foto tirada do meu celular com pouca bateria, e muitos números que precisam ser apagados.

Brasília.



É Brasília, te amo senhorita.


Na foto: Minha prima descabelada e meu tênis de 658742 anos de idade. Não dá pra ver, mas estão no chão dessa imagem. Foto feita pela minha irmã  ex pseudo ruiva.